28 de fevereiro de 2011

Não quero ter que voltar ao primeiro amor


Não quero ter que voltar ao primeiro amor
Pois não pretendo deixá-lo passar
Me recuso a chamar-Te "Senhor, Senhor!"
Sem de fato atender Teu chamar

Eu prefiro não ter que pedir perdão
Nem ter razão pra me arrepender
Mas se eu ferir o Teu coração
À Tua Graça vou recorrer

Que meu amor por Ti aumente mais e mais
Pois só em Ti encontro tudo que me satisfaz

Que jamais me atreva a olhar atrás
O que minh'alma almeja é ser aquele que Te apraz

Não me importo com o que digam
pra mim tanto faz
Que os que me persigam
um dia acolham Tua paz

Senhor, Senhor, Senhor
Batiza-me no Teu Amor!
Senhor, Senhor, Senhor
Não quero Lhe causar mais dor

Autor: Hermes C. Fernandes

18 de fevereiro de 2011

Pedido

"Eu não quero que você seja eu
Eu já tenho a mim
O que quero é que você chegue
Com seu poder de chegar
E de me devolver para mim.
Que você chegue com o seu dom
De também me fazer chegar
Perto de mim...
Pra me fazer ver o que sou e que só você viu.
Pra eu ser capaz de amar também
O que só você amou
Eu não quero que você seja igual a mim.
Eu já tenho a mim.
Não quero construir uma casa de espelhos
Que multiplique a minha imagem por
todos os cantos.
Quero apenas que você me reflita
Melhor do que eu julgo ser"



Duas histórias para ajudar a entender o grande agressor


Ela me olhou cheia de receios. Os olhos estavam muito inchados. A pele escurecida por hematomas era a denúncia que não carecia de palavras. A violência havia passado por ali.

A boca com um pequeno corte no canto esquerdo difi­cultava sua fala. Voz mansa, embargada por rompantes de choro doído. Choro de quem não sabe pedir ajuda.

Ela era uma mulher bem-sucedida, emancipada. Bancária, mãe de três filhos que já cursavam faculdade na capital, dividia o lar com seu marido, um empresário que não se especializou na arte de amar.

Ele entrou na sua vida quando ela ainda era uma adolescente. O casamento aconteceu dois anos depois de iniciado o namoro. Ela não teve muita escolha. Vida no interior é assim. O casamento parece ser obrigação a ser cumprida, ainda que não exista amor.

Os atos de violência começaram alguns meses depois de casados. Primeiramente os gritos que não existiram durante o namoro, depois pequenos empurrões, até chegar ao absurdo de surras que a deixavam marcada por todo o corpo.

No dia em que me pediu ajuda, ela já acumulava cinquenta e dois anos, dos quais trinta e quatro vividos ao lado do seu agressor.

Reconheceu que não sabia mais o que fazer, mas já sabia que tinha que fazer alguma coisa. As agressões não estavam apenas na sua pele. Estavam em toda a sua alma. Cicatrizes no corpo nos recordam o sofrimento do corpo, mas há outras cicatrizes mais profundas que não conseguimos enxergar com facilidade. Aquela mulher chorava por razões novas e antigas. A primeira surra, já distante no tempo, quase trinta e quatro anos, ainda doía em algum lugar da alma.

Perguntei a razão de sofrer calada até aquele dia, e ela me confessou que tinha medo de que, ao contar para alguém, pudesse perdê-lo. Os filhos não sabiam das agressões. Tudo foi muito velado ao longo da vida, e aquele último episódio veio a público porque um vizinho escutou os objetos sendo quebrados durante a agressão e entrou na casa.

Ela não conseguia olhar nos meus olhos enquanto me dizia tudo isso. Preferia fixar a atenção no movimento das mãos que segu­ravam um pequeno pedaço de barbante. Enquanto contava os fatos, aquele pequeno barbante era enrolado e desenrolado nos dedos, como se aquele movimento representasse o movimento da sua vida.

Ouvia sem saber o que dizer. Estava indignado. Indig­nação costuma cortar a fluência das palavras. Ousei perguntar se ela queria separar-se dele, e prontamente ela me disse que, se isso acontecesse, ela não saberia o que fazer da própria vida. E o barbante continuou sendo enrolado nos dedos...

Não pude fazer muita coisa. Ela não quis denunciá-lo à polícia. Embora eu soubesse que esta seria a atitude correta, tive que respeitá-la. Perguntei o que ela queria de mim. Olhando-me com serenidade, disse-me que só queria desabafar; apesar de eu ter idade para ser seu filho, ela sentira um desejo de que eu a tratasse como filha. E eu o fiz. Eu a abracei e lhe garanti que a apoiaria seja qual fosse sua decisão.

Agradeceu-me e fui embora.

Aquela senhora não sabia viver longe de seu agressor. Amor de domínio, amor estragado. O tempo prolongado no cativeiro, quase uma vida inteira, retirou-lhe a coragem de falar dela mes­ma. Aprendeu a engolir o choro, a não reclamar dos maus tratos. Subjugou seu coração ao domínio de um homem frio e insensível que se proclamou proprietário de sua história. Ela permitiu.

A surra que deformara seu rosto começou leve. Antes de ser tapa, foi grito. Permitido o grito, vieram os empurrões. Dos empurrões aos golpes violentos foi um salto pequeno. Tudo co­meça pequeno nessa vida; e só cresce se o permitirmos.

Aquela mulher autorizou o invasor. Abriu o portão para que ele viesse pisar o seu jardim. E, depois de tanto tempo, descobriu que não possuía voz nem coragem para proclamar a ordem de despejo.

Pequenas permissões abrem espaços para grandes invasões. Grandes tragédias começam com pequenos descuidos. Desastres terríveis são iniciados com displicências miúdas. São as regras da vida. Se quisermos o fruto, é preciso que haja empenho no cultivo do broto.

O agressor não foi repreendido. Ele cresceu e alcançou força porque a própria vítima o nutriu. Os inimigos só podem sobreviver à medida que injetamos sangue em suas veias.

A vida nos jardins ensina-nos uma sabedoria milenar. Plantas precisam de podas para que não ultrapassem os limites estabelecidos

Não houve poda, e por isso a árvore avançou o território que não poderia ter avançado. Arvores crescem sem disciplina. A tesoura de poda é que dará o rumo que a árvore poderá seguir. Do livro quem me roubou de mim – Pe. Fábio de Melo.




8 de fevereiro de 2011

O que eu também não entendo...



Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Prá que você possa entender
O que eu também não entendo...

Amar não é ter que ter
Sempre certeza

É aceitar que ninguém
É perfeito prá ninguém

É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir...

Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo...

Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também...

O que eu também não entendo ( J quest)

Te amo meu amor... pra sempre!




BONS AMIGOS

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir.
Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.
Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende!

Benditos os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.
Porque amigo sofre e chora.
Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.
Porque amigo é a direção.
Amigo é a base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raízes, verdadeiros.
Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.
Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho,
Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!


Retornei para Mim
De um Caminho
Sem Começo
Sem Meio
Com Fim.

Fico Feliz
Pela Volta
Minha Volta
Meu Re-começo
Novo Endereço
Com Muito apreço
Porque Eu
Eu, de fato,
Mereço!

[ Débora Camargos]