Era uma vez uma cadeira. Velha, vacilante, em péssimo estado de conservação. Sua pintura estava toda enrugada, gasta, a cor desbotada. Verdadeiramente um desastre! Não podia mais sustentar o próprio peso, que aumentava de ano para ano. Arranhões, sujeira, manchas, pés frágeis, pedaços quebrados. Não chegava mesmo a se lembrar de sua beleza primitiva. Uma camada de pintura, após outra, era toda a sua vida passada. Parecia tão mal que alguns sugeriram até cobri-la para não ferir a visão dos outros. Vez por outra, uma nova retocada na pintura, melhorava. Depois, novamente, rachava e descascava de alto a baixo, tornando-a pior que antes. Era preto em cima de vermelho, azul, verde, branco, amarelo camada sobre camada. Pobre cadeira! Como se lembrar de como era, sob tantas camadas sucessivas de pintura? Um belo dia, entretanto, ela se viu entre as mãos de um marceneiro. Não sabia mesmo como havia chegado lá. Havia sido triste ter chegado ali na pressa, aos empurrões e sacudidas no fundo de ...