9 de setembro de 2009

Das Coisas que Valem a Pena

Tem épocas na vida que a gente entra em crise, parece que nada dá certo e que o universo conspira contra nós, de modo inverso ao que diz o ditado. Mas é justamente nesses momentos que precisamos buscar dentro ou fora de nós mesmos, motivos para ir adiante, aquelas coisas que realmente fazem valer a pena estar neste mundo às vezes tão cruel.
Sei que isso remete à síndrome de Pollyanna, o tal “jogo do contente” e, na verdade, se não é, é alguma coisa semelhante. Não que eu tenha a ingenuidade de acreditar que tudo na vida tem um lado positivo, é claro que há coisas que são ruins e ponto, mas as coisas boas também existem, e saber disso traz conforto, ainda que não nos poupe dos sofrimentos.
A minha velhinha costuma dizer que “quando as coisas estão muito ruins, estão prestes a melhorar”. São quase sete décadas de experiência, ela deve saber do que está falando. Nada como a sabedoria de quem já errou e acertou nem sabe-se o quanto.
É claro que não é fácil mudar a frequência nas horas em que nos sentimos mais sensíveis, mais frágeis, mais vulneráveis. Mas é preciso. É preciso olhar com os olhos do coração, ainda que eles estejam embaçados. Os olhos do coração enxergam através da névoa da dor, através da neblina da mágoa. Eles enxergam o que é maior do que isso.
E não duvidem, sempre há coisas maiores. Seja o amor da sua família, a companhia dos amigos, o carinho de uma criança, a oportunidade de se dedicar àquilo que gosta, a possibilidade de ajudar alguém, os vários lugares extraordinários que você ainda não conheceu, os vários sabores exóticos que você ainda não experimentou, ou uma agradável surpresa que pode acontecer pelo caminho…
Vale a pena. Há sempre uma razão para continuar. Há sempre uma razão para tentar outra vez.


Texto: Lya Quadros.

Foto: Firenzesca.

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