19 de julho de 2010


Gostava às vezes de ser outra



Gostava às vezes de ser outra.
Outra mulher a sussurrar sem medo
Gostava de ser uma, assim, calma, paciente.
Que levasse a vida devagar, sem agonia.
Assim, como quem não sente.

Gostava de ser outra a descansar,
Tranqüila...
Consciência em paz, sossegada,
De quem não se atira à vida.
Uma assim que não sofresse,
Não parasse, pra pensar...
Não se arrependesse.

Mas não. Tenho o espírito
Em constante rebuliço.
Sempre perguntando o porquê
De tudo isso.
Ora apaixonada,
Ora em desgraça,
Ora alegre, triste, irada.
Danço e brigo,
Vou e volto.

Gostava bem de ser outra,
Às vezes...
(A poesia me abandonava?)

Silvia Chueire

2 comentários:

Gisélia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gisélia disse...

Sua cara!