24 de outubro de 2010

A carta



Já se faz algum tempo que eu não ouço a sua voz... Eu sinto muita falta de você, mesmo sabendo que você finge me ser um filho que me ama... Eu já percebi que você sempre foi assim, você nunca mudou de verdade, desde pequeno... mas eu te amei desde então.

Você sempre teve muita raiva e por isso resolveu fingir para que as pessoas te amassem, mas lá no fundo, você sempre foi uma pessoa frustrada. Irritado com a vida, pelo fato de que você não nasceu em uma família perfeita, que você teve que suportar por tanto tempo ver as outras pessoas viverem uma vida que aparentemente era melhor do que a sua, você fingia não se importar com isso. Na verdade você nunca aceitou que Eu deixei tudo isso acontecer bem debaixo do meu nariz. Você tem raiva de tudo e de todos, principalmente de saber que ninguém lhe entende.

Mas você sempre procurou por alguém que se parecesse com você e sempre que encontrou, se apegou a essa pessoa que parecia dividir a mesma raiva sua...

Recentemente você se apegou a essa coisa que tem te usado, tirado a sua pureza, machucado e magoado a você, a sua família, os seus entes queridos, seus amigos e acima de tudo, Eu... Mas você alegremente aceitou lhe seguir, é como se você tivesse finalmente encontrado uma maneira de tirar toda aquela raiva que tinha dentro de você pra fora e ferir todos que o amou.

E ainda assim, aqui estou Eu, escrevendo pra você... você me fez seu Pai e eu nunca posso deixar de sê-Lo. Eu sempre serei seu Pai, não importa o que você fez, o que você faz, e o que você ainda vai fazer.

Sim, Eu estou ferido por tudo que você fez e ainda faz... sempre fazendo tudo pra me envergonhar...

Agora tudo o que me resta é o que você vai fazer de agora em diante.

Nenhum comentário: